sexta-feira, 22 de julho de 2011

Acidentes domésticos = Queimaduras


Cada vez mais presentes na vida das pessoas os acidentes domésticos, normalmente são desencadeados por pequenos descuidos em situações cotidianas como acender uma churrasqueira, crianças tombando canecas de água fervente ou colocando o dedo em tomadas elétricas, além de brincadeiras com "bombas" ou fogos de artifício, ingestão de produtos químicos e a execução de tarefas sem equipamentos de segurança como: luvas, óculos e botas de proteção.
Todos os casos são perigosos, mas o que mais causa pânico, principalmente nas mães, são as lesões por queimaduras graves. Especialista na área há 21 anos, o cirurgião plástico Ary Assumpção Júnior, de 51 anos, fala em entrevista exclusiva sobre causas, tratamentos e prevenções.
Segundo ele, as queimaduras podem ser provocadas pelo calor do fogo, vapor ou líquidos quentes; exposição solar; frio intenso; choques elétricos e agentes químicos como ácidos cáusticos. A lesão pode acometer a pele, mucosas e em casos mais graves os tecidos sob a pele como gordura, músculos e até órgãos internos. "Sua gravidade depende do agente causador, do tempo de exposição, do tamanho da área da superfície corporal, do(s) local(is) acometido(s) e da idade da pessoa, exigindo cuidado maior especialmente em crianças ou idosos", explicou.
De acordo com sua profundidade, as queimaduras são classificadas em Primeiro Grau (eritema ou vermelhidão), Segundo Grau (eritema e bolhas integras ou rotas) e Terceiro Grau (feridas). As que mais causam dor são as de Primeiro e Segundo Graus porque há lesão sem destruição das terminações nervosas, enquanto que nas de Terceiro Grau normalmente.
Em qualquer um dos casos o mais correto é procurar atendimento médico em Hospitais, Postos de Saúde ou consultórios, de preferência com especialistas em Cirurgia Plástica ou Dermatologia. "Aconselho manter o local queimado limpo, livre de "remédios" caseiros como pasta de dente ou óleos, nem mesmo pomadas e também não romper as bolhas. No máximo, lavar o local com Soro Fisiológico ou água corrente. Caso a queimadura seja química, nem isso!", alertou Ary.
O tratamento varia de acordo com o caso, com uso de analgésicos via oral e cremes hidratantes, nos casos de queimadura de primeiro grau. "Também podem ser prescritas pomadas que aliviam a dor, porém só devem ser usadas quando a pele está íntegra. Nas lesões de segundo grau pode haver a necessidade de curativos abertos ou fechados, utilizando pomadas específicas. Já nas de terceiro grau os curativos são sempre fechados e, dependendo do local, extensão e intensidade da dor, pode haver necessidade de internação ou procedimento cirúrgico de urgência. A recuperação é lenta e requer cuidados do tipo evitar a exposição ao sol", frisou.
A necessidade de cirurgias na fase pós-queimadura vai depender principalmente do aspecto funcional do local acometido como, por exemplo, uma pálpebra que não fecha completamente ou um membro que não faz sua extensão total. O segundo aspecto, embora estético, é igualmente, pois mexe com a auto-estima do paciente. "É um tratamento multiprofissional que envolve as áreas de psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional e nutricionista", explicou.
As cirurgias podem exigir enxertos cutâneos e retalhos cutâneos, porém os resultados são sempre limitados. "Dependendo da área lesada é difícil a recuperação e reparação, pois algumas partes como face, mãos, pés, mamas, etc, possuem estruturas muito ricas em detalhes, tornando praticamente impossível sua total recuperação funcional e estética", comenta.
Por isso a palavra de ordem é prevenção. "Alguns cuidados como não usar álcool e não estar alcoolizado ao realizar tal procedimento; retirar as crianças da cozinha durante o preparo das refeições, colocar protetores nas tomadas, etc. O tema queimaduras deveria ser uma questão de Saúde Pública, com campanhas informativas em todas as mídias, mas infelizmente não é isso que vemos!", destacou o cirurgião.
Embora a Cirurgia Plástica esteja enfocada no aspecto estético, vale lembrar que seu aspecto Reparador encontra um importante capítulo dentro da Medicina. "O número de cirurgias nesse campo é vasto e contempla os defeitos congênitos (desde o nascimento), defeitos adquiridos (ferimentos cortantes, por acidentes automobilísticos, tumores cutâneos, reconstrução de mama pós mastectomias, etc.). Na Cirurgia Plástica o que é mais valorizado e nos é cobrado é a cicatriz, ou melhor, a falta dela! Quanto menos aparente melhor. Infelizmente falta um longo caminho para a ciência conhecer a fundo e dominar o processo da cicatrização. E é exatamente isso, as cicatrizes físicas e emocionais, que ficam como estigma nos pacientes vítimas de queimaduras mais sérias e que necessitam de uma recuperação plena para o convívio familiar e social", concluiu.

(Jornal Mais)

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